quinta-feira, 7 de novembro de 2019

A Revolução dos Bichos, George Orwell

Estava no primeiro semestre da faculdade quando um dos meus professores sugeriu que lêssemos este livro, para fins de estudos e interpretação. Após a leitura assistimos ao filme, e eu achei tudo tão criativo, isto é, olhando do lado de fora. George Orwell usa os animas de uma fazendo como personagens de uma história revolucionária, onde eles buscam apenas a sua verdadeira liberdade e independência para tomar suas próprias decisões. Um dos grandes clássicos literários, inseridos em diversos cursos universitários, e ainda há pessoas que não conhecem... Pois é, sempre me sinto um peixe fora d'água quando falo com as pessoas sobre livros que gosto e que elas nunca leram

Tudo começa quando o porco mais velho da fazendo, Major, tem um sonho revolucionário onde os animais lutam e conquistam sua liberdade, e ainda cantam uma bela música (Animal Farm), que vem a ser ensinada aos demais no decorrer da história. Logo, após sua morte, os demais porcos continuam os ensinamentos do velho Major, e instruem os animais, dando-lhe força e e coragem para enfrentar os donos da fazenda. Quando a revolução finalmente acontece, as pessoas fogem da fazenda deixando-a para os animais que ali residem, e os porcos tomam a liderança. Dentre os porcos, nasce a sede de poder de Napoleão que logo dá um golpe de estado em Bola de Neve, tomando o lugar de administrador da fazenda. Bola de Neve é obrigado a fugir para não ser morto, e a partir daí, todas as coisas ruins que acontecem ou que não prosperam são colocadas nas costas culposas de Bola de Neve. Os animais trabalham muito para construir um moinho de vento, antes uma ideia de Bola de Neve, que agora é colocada como pensamento exclusivo de Napoleão. Com o tempo os animais percebem, estão trabalhando muito mais que antes, quando os donos da fazendo ainda a administravam, e por muito menos, pois, todos chegam a passar fome e necessidades de uma forma geral. Napoleão, rompe com todas as leis do Animalismo (nome dado à revolução) e começa a negociar com os homens, começa a vender seus próprios mantimentos, alimentos e afins para os seres humanos, deixando os animais em situação precária. Muitas coisas se desenrolam no decorrer da história, e logo vem a morte de alguns personagens muito importantes da história. No fim de tudo os animais da fazenda voltam a ser prisioneiros, mas dessa vez não de um homem, mas de um porco que acredita ser um homem.

É realmente sensacional! George Orwell é um autor sensacional e usa de todo seu conhecimento histórico e também como escritor para criar essa história. Este livro está total e completamente ligado a um momento histórico e eu escolho não dizer, deixando você meu querido leitor, como curioso pesquisador a saber por conta própria. Afinal, nada mais justo da minha parte ajudá-lo a adquirir mais conhecimento. Mas, se você já leu e sabe a respeito, escreva nos comentários. 😉

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Uma aprendiz na sala de aula

Quando começamos estudar uma licenciatura, inicialmente, não se tem ideia do quão grandiosa será nossa jornada como educadores. É nesse momento que nos deparamos com as primeiras inseguranças que aparecem quando chegamos ao "assustador" estágio. Diversas histórias de fracasso com os alunos, normalmente de pessoas que não se tornaram professores, chegam aos nossos ouvidos. Enfrentar uma sala de ensino médio pode vir a ser nosso maior medo ou nosso maior desafio, isso depende de como lidamos com a situação. Tive o prazer de me agarrar à algumas belas palavras sobre a importância do estágio enquanto ainda somos estudantes quando em uma entrevista, a professora e pesquisadora Bernadete Gatti, se colocava totalmente a favor de professores que possuem uma boa formação, e que para isso precisam passar por todas as etapas que a faculdade apresenta. 

Lembro-me do primeiro dia de estágio, a primeira vez na sala dos professores, a primeira vez numa sala de aula e agora, eu era a professora. Quantas coisas aconteceram, quantas coisas eu aprendi e muitas levarei comigo para sempre. Há todos os tipos de alunos e cada um deles vai te abordar de uma maneira diferente. Todos os nossos fracassos como professores começam ali, assim também como todas as vitórias, conquistas e descobertas. Iniciei estagiando como professora de Língua Portuguesa, numa sala de ensino médio de uma escola pública, lidando com todos os tipos de pessoas possíveis. Todos os tipos de situações acontecem dentro do convívio escolar. Há alunos que irão respeitar sua posição, e suas aulas de uma forma geral. Há outros que te farão subir pelas paredes, com suas atitudes e dizeres mau educados. Há momentos em que as aulas serão maravilhosas, já outros serão cansativos. Eu percebi que de um jeito ou de outro, sempre que ia embora estava muito cansada, o que é bem cabível, afinal estava lidando com pessoas e isso nunca é fácil. Apliquei e corrigi provas, uma tarefa que sempre era decisiva para mim. Corrigi redações, me assustei, me maravilhei, me choquei, me conformei diante da deficiência de diversos alunos quanto a Língua Portuguesa, principalmente na norma culta. Acredite, é assustador lidar com alunos que estão no colegial e ainda não sabem o básico. Isso sempre me entristeceu, acredito fielmente que a educação deveria ser tratada com mais e melhores cuidados pelos nossos governantes. Contudo, deparar-se com esses fracassos faz parte do dia a dia do professor na Educação Brasileira, então temos que aprender a lidar com essas situações da melhor forma possível.

Umas das melhores experiência foi um maravilhoso passeio com os alunos no terceiro ano na Feira do Livro de Ribeirão Preto, onde tive diversas experiências diferentes, fora todos os livros que comprei. É claro que não poderia ir à uma feira do livro e voltar de mãos vazias. 😂

Algo total e completamente maravilhoso foi participar de forma ativa nas aulas de literatura, sendo esta minha grande paixão. Como foi gostoso falar sobre Modernismo e Fernando Pessoa. É claro, nem todos os alunos participam ativamente, nem todos estarão na mesma linha de raciocínio, mas isso é apenas uma gota do oceano.

E, penso eu achando estar certa em minhas conclusões, nem todos os dias serão totalmente bons, nem todos os dias os alunos estarão dispostos a ouvir e aprender, pois, são seres humanos em fase de transição para a fase adulta e, às vezes, podem ser difíceis. Mas, eu acredito na educação, acredito que ser um professor nos dias de hoje é mais que um desafio, é um ato de coragem. Por isso, após concluir seis longos meses, cheguei ao fim de mais uma jornada. E agora, o que fica em minha memória é a despedida, os abraços e todos os "sentiremos sua falta" que escutei ao dizer minhas últimas palavras... Mais uma para a caixinha de lembranças. ❤

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Leituras machadianas

Ler Machado de Assis sempre vai ser um desafio pra mim, e isso é algo curiosíssimo porque eu amo explorar as palavras ao máximo em seu uso cotidiano, assim como Machado fazia em suas escritas literárias. Os jogos de linguagem utilizados por ele tornam seus textos complexos, de difícil entendimento, principalmente pelo uso de palavras que já estão no passado distante e que não se mantém atualmente.
Como eu amo o jeito como ele classifica os personagens de suas obras, como esclarece os dramas com clareza e sensibilidade emocional, como explora o máximo de cada situação que vem a se desenrolar no decorrer da história. É realmente sensacional, mas ainda é uma leitura difícil pra mim. Nas minhas últimas leituras de Machado precisei da companhia fiel de um dicionário, era como ler uma frase e pesquisar cada quatro de cinco palavras. Contudo, gosto desses desafios de leitura, gosto de perceber alguma dificuldade em textos ou obras, pois, me obrigam a ter mais empenho e dedicação. São leituras complexas que fazem bons estudiosos e mestres.


Destaquei este capítulo de Dom Casmurro para exemplificar o que me é entendido e agora através deste post repassado. A maneira como Bentinho se descobre homem após seu primeiro beijo é espetacular. Fiquei anestesiada com essas poucas e grandes palavras de Machado ao expor a descoberta da América como algo tão banal ao se comparar com o beijo que havia acabado de dar e receber...


Machado de Assis foi um cavalheiro em suas palavras e um mestre em sua capacidade de escrever. Gostaríamos nós, mulheres, receber tal galanteio em dias tão atuais...

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Negras Raízes, Alex Haley

Este livro conta uma das mais belas e emocionantes história que eu já li em toda minha vida. Negras Raízes (Roots) de Alex Haley traz consigo um misto de emoções e momentos difíceis, enfrentados enquanto os Estados Unidos ainda era uma colônia da Inglaterra. Kunta Kinte, o personagem principal, era um jovem de dezessete anos que vivia em Juffure, Àfrica, quando é roubado, judiado e levado, no porão de um navio negreiro, à América. Enquanto ainda velejava, enfrentava o medo, a vergonha, a humilhação, e a incerteza de um futuro infeliz, em algum outro lugar que não fosse a sua casa. Quando pisa pela primeira vez em terras americanas, é vendido como escravo num dos muitos leilões feitos na época, e a partir daí o que já era sofrimento, fica ainda pior. Durante os primeiros capítulos, além de ser açoitados diversas vezes e ser castigados de formas exageradamente cruéis, Kunta tenta desesperadamente fugir para qualquer lugar longe daquele martírio, mas na terceira vez em que é pego, tem um dos pés amputados pela metade. Logo, é vendido novamente e enquanto sobrevive a recuperação conhece Bell, uma escrava doméstica, que vem a ser sua esposa no decorrer da história. Juntos, Kunta e Bell, têm uma filha que vem a se chamar Kizzy, que ao completar seus quinze anos de idade é descoberta pelo dono da fazendo lendo e escrevendo (uma atividade proibida aos escravos). Então, Kizzy é vendida, deixando pra trás seus pais e sua vida. A história vai se desenrolando, novos personagens vão surgindo e ao fim de tudo, depois de muitas coisas acontecerem, nasce Alex Haley, o trisaneto de Kunta Kinte, autor deste livro. 
É importante ressaltar que mesmo com todas as tristezas e com o novo estilo de vida que Kunta teve que adotar para enfrentar seus desafios, nunca se esqueceu de suas raízes. As raízes africanas são o destaque do livro, e também como os escravos enfrentavam seu dia a dia nas plantações e em outros serviços. Negras Raízes é uma história real, muito trabalhada pelo autor que viajou até a Àfrica para descobrir seus antepassados, a cultura e história do povo de Juffure. Este livro faz parte da Literatura Americana, e é realmente sensacional. Você deveria ler também.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Conversas com um jovem professor, Leandro Karnal

Suas escolhas te definem, suas escolhas te fazem ser quem é, e todas essas escolhas nascem de um sonho, ser um excelente profissional. De todas as profissões que possam existir, das mais antigas às mais atuais, todos sem exceção, passaram por um professor. Quem é esse professor? Aquele que acordava cedo todos os dias e carregando seus livros, caderno de anotações, diários de classe, e chegava à escola pronto para enfrentar mais um dia de aula. Aquele que sempre dizia as mesmas coisas, como: abram o caderno, copiem isso, atenção na explicação, isso é matéria de prova, etc. Pois bem, aquele professor te ensinou, te motivou, te levou a ser quem você é hoje. Quem você é hoje? Um médico, um engenheiro, uma enfermeira, uma assistente social, um servidor público? Quem é você? Aquelas aulas longas de gramática, ou aquelas complicadas com equações e números, ou até mesmo as matanças da aula de educação física, todas elas te levaram até o lugar em que você se encontra hoje. 
Eu era apenas uma estudante de ensino médio combinando matanças coletivas com os colegas de classe, hoje sou estudante de Letras, uma futura professora de linguagens, uma futura educadora que está apaixonada por essa escolha. Quando descobri este livro, inicialmente não dei a importância que deveria até o dia em que comecei a ler. "Uau!", foi o que pensei quando virei a primeira página, ainda não conhecia o autor, ainda não sabia exatamente o que seria de mim dentro da minha profissão. Então, entrei numa apaixonante leitura de autoconhecimento e descobertas interessantíssimas sobre o ser professor nos dias atuais. Este livro me ajudou muito, eu me descobri como pessoa, como profissional, e por isso estou falando sobre ele. 

                       

Leandro Karnal fala abertamente sobre todos os enfrentamentos que um professor passa ao longo da carreira, desde os pequenos e mais simples momentos, até os mais elaborados e complexos. Destaca seus erros passados exemplificando como agir de maneira diferente e correta diante de situações cotidianas que podem acontecer quando menos se espera. Dá muitas dicas de como elaborar aulas, montar o conteúdo, ser dinâmico e diversificar para deixar as aulas sempre interessantes e menos massantes, principalmente quando são aulas muito explicativas. Ao final de cada capítulo, ele apresenta um filme que exemplifica o assunto tratado e finaliza sua explicação com essa dinâmica divertidíssima. Nas últimas páginas ele diz abertamente sobre os motivos que o levaram a ser professor e o porquê ama tanto essa profissão. Enfim, é um livro sensacional que todo professor, independente de seu tempo ou conhecimento, deveria ler. Eu poderia fazer uma resenha, ou falar sobre os tópicos, mas essa não é a minha intenção. Quero motivá-lo, incentivá-lo, jovem professor, futuro professor, interessado pela área, a ler este livro e ter sua própria e pessoal experiência. 

Escolhi este livro para ser a primeira postagem do blog porque foi o meu ponto de partida, o que me ajudou a fazer a escolha certa, e não ter dúvidas sobre um futuro que talvez pareça incerto. Espero de coração que você, lendo este livro, tenha uma experiência tão maravilhosa quanto a minha.